Futuro

O sonho não acabou...

Por mais que o crescimento científico tenha sido enorme nas últimas três décadas, ele será ainda maior nas próximas. Assim, o CELAFISCS (as novas gerações) precisará se preparar adequadamente para se ajustar a esses novos desafios. Esperamos que possamos crescer puxados pelo futuro e não empurrados pelo passado. Nossa visão de futuro mantem o desejo de melhorar a qualidade de vida do homem, criando e disseminando da melhor maneira um novo conhecer na relação atividade física e saúde, nas dimensões da recuperação, da manutenção, da promoção e da excelência. Percebemos que antigas divisões da academia em áreas de humanas, biológicas e exatas não atendem mais a realidade, onde por exemplo na área da saúde, disciplinas fundamentais como Anatomia, Fisiologia e Patologia estão tendo novas companhias como Medicina por Evidência, Economia em Saúde, Transporte Saudável, Medicina do Ambiente, Marketing Social e a promissora Administração do Conhecimento (Knowledge Management).

Os instrumentos mudaram, mas as atitudes básicas permanecem. A observação continua a ser o ponto de saída; e exercita-la foi e será crucial nos anos por vir. É primordial não só no aprofundamento e especificidade de análise de fenômenos, mas também avaliação mais ampla dos sistemas, do homem e da sociedade. Não podemos cair no viés do produtivismo científico, afogando e cobrando alunos e profissionais com mares de informações, mas não propiciando o treinamento adequado para o ato estratégico da observação.

Ela nos permitiu perceber que o crescimento científico em grande parte não segue modelos lineares como infelizmente boa parte da academia nos ensina. Linus Pauling era físico; e contribuiu muito com estudo de proteínas e a vitamina C. Francis Crick era técnico em física, mas usando conceitos de difração do raio X ajudou com James Watson a propor a esquema de dupla hélice do DNA. Nesses mais de 40 anos, tivemos diversos exemplos de não linearidade: como esperar surgir um centro independente de pesquisa em um momento de ditadura militar? Como explicar que ele se manteve? Como explicar a formação sistemática de profissionais com um certificado que não pontua academicamente? Como propor uma medida de potência anaeróbica lática sem ter medido lactato? Como criar um programa de intervenção com impacto mundial sem ter experiência anterior? Há muitos outros e outros virão melhores, se nos prepararmos para o desenvolvimento não necessariamente linear.

Não há fórmula específica já pronta na prateleira, mas a trajetória anterior pode servir de indicador, não de regra. Aprendemos o valor de cultivar continuadamente alguns componentes fundamentais, que no jargão da casa chamamos dos "Cinco C´s". O primeiro chama-se "Competência", sem ela não se pode esperar propostas consistentes para mudança positiva do cenário atual. O segundo é o "Compromisso", sem o qual não se pode esperar muito de profissionais de qualquer área, muito menos de instituições; e menos ainda de propostas que se convertam em mudança sustentada. O terceiro é a "Coesão", pois o encanto se sonhar junto tem um impacto exponencial e a obtenção do melhor efeito oriundo de diversos instrumentos requer o trabalho de capacitados maestros, que entendam o desafio de harmonizar a beleza da diversidade com a concreta ação de um grupo. Mas não bastam os três C anteriores, pois o sonho de mudanças para melhor exige "Criatividade", o ato supremo na escala da Educação bem sucedida, que permitiu ao homem encontrar soluções para os problemas de uma sociedade difícil ainda mais complexa. Como conseguir atender aos componentes anteriores em uma sociedade pobre e ainda mais injusta? Se os C anteriores estão dentro de uma determinada lógica, não podemos esquecer de algo que dê o tom, o molho, o imponderável. Aí entra o "Coração", pois é ele que associado aos neurônios da lógica anterior é que nos poderá fazer ainda mais capazes: o amor dá um sentido maior ao conjunto da obra. É ele que pode dar a sensação da tristeza da perda e da alegria da conquista do sonho. Sim, nós cientistas também podemos ser felizes.

Em síntese, a História do CELAFISCS é uma história de um sonho. Um sonho coletivo que não deixou espaço para os pesadelos crescerem. Um sonho de poder crescer como equipe e como tal gerar propostas originais, sem perder a perspectiva que “aprender a vida é ainda a maior ciência”.

O sonho de poder enfrentar as dificuldades e transformar obstáculos em desafios, mas com tempo para celebrar as conquistas, que não foram poucas. Celebrar e aprender cultura, nas idas juntas aos teatros, cinemas, exposições e shows; combinando atualização dos congressos com as viagens à sabedoria milenar dos miônios e mecenes da Grécia, dos astecas do México, dos incas do Peru, dos maias da Guatemala, beduínos do Marrocos, dos Zulus da África do Sul, dos indígenas e salmões do Canadá, das cerejeiras do Japão, das muralhas da China aos aborígenes da Austrália ou aos maoris da Nova Zelândia, dos Alpes suíços às cordilheiras dos Andes, da pobreza de tantas regiões aos tesouros de Dresden, e em tantos outros países (quase 60) que não caberia aqui descrever, mas que seguramente receberam também os mensageiros do DNA do CELAFISCS.
Sonhar continuará a ser fundamental. O velho adágio dizia que se besouro soubesse engenharia, não voaria. Da mesma forma o CELAFISCS não teria existido. Por isso o poder do sonho, respeitando os cinco C, explica muito do que fizemos até aqui. Festejamos com alegria nossos mais de 40 anos, e os desafios que nos esperam funcionam a história não terminou, porque o sonho não acabou!